Falar de realização cinematográfica no Brasil.é uma tarefa de muita responsabilidade. Tive muitos mestres que me falaram sobre realização, como Sérgio Sanz, Walter Goulart, José Carlos Avellar, Aluízio Abranches, Flavio Tambelini, Walter Lima Jr, Ruy Guerra, entre outros.
Os realizadores brasileiros enfrentam alguns desafios. Infelizmente, a infra-estrutura é ainda um grande problema para quem se aventura na área. “Como não temos infra-estrutura, bem como pessoal qualificado, ficamos limitados. Temos, inclusive, consultado estúdios no exterior, mas, devido à burocracia, taxas e impostos muito altos, fazer o filme todo no Brasil acaba sendo inviabilizando”, conta Edna Fujii, da Quanta, empresa de locação de equipamentos para filmagem.
Vivemos uma contradição muito grande em relação à experimentação em cinema. Ou o cineasta é radicalmente experimental e, por isso, está fora do mercado; ou ele convive com o cinema industrial, como era o caso dos grandes estúdios de Hollywood e, agora, da TV Globo.
Dentro desse esquema de trabalho é possível produzir alguma coisa que seja independente? É esquisito, mas não é possível. No entanto, existe a impressão de que há certos setores um pouco mais criativos do que outros. Mas felizmente mais estados estão filmando, mais filmes estão sendo realizados fora do eixo Rio-São Paulo, acompanhando uma tendência da década, ainda mais com o surgimento de editais de incentivos locais, como na Bahia e em Pernambuco, Rio Grande do Sul. Porém, esse aumento na produção não se reflete no mercado exibidor. Justamente com a exceção da animação, gênero muito recente e muito demorado na realização, a grande maioria de filmes levantados está pronta e sem previsão alguma de lançamento ou de sequer conseguir uma distribuidora. Verdade mais dura para os documentários. Se não fossem os diversos festivais que acontecem no país, muito possivelmente tais produções talvez nem vissem a luz do dia.
Os realizadores de cinema fora do sistema, sem o tripé produção, distribuição e exibição. Nós não temos uma distribuidora e o dinheiro para lançar os filmes. O que nós temos? A Rio Filme? Ela te dá entre R$ 200 mi e 300 mil para um lançamento. O que é isso em termos de anúncio? Nada. Não é possível colocar publicidade na televisão. É preciso fazer negócio com a TV para ter o produto exibido. Eles fazem a divulgação na estréia e exploram seu filme por três anos.
Já que não existe o tal tripé, pelo menos é preciso ter a possibilidade de estabelecer um negócio com o exibidor. Mesmo que se leve o filme de praça em praça, como fez a Carla Camurati com "Cartola Joaquina". Como não tinha distribuidor, ela resolveu sair com a lata debaixo do braço. E conseguiu ganhar dinheiro.
Segundo Ruy Guerra, um fator fundamental numa realização é o fator tempo. Uma forma de otimizar o tempo é a preparação: Um filme bem preparado é um filme que se pode ser filmado com rapidez. Um filme mal preparado é o caos. E as respostas para a má preparação são sempre pagas com a perda da qualidade da realização: abre-se mão de muita coisa como da qualidade de interpretação dos atores, da qualidade de coisas de ordem prática. Pois sem tempo você não pode prever possíveis imprevistos e essa falta de previsão e rapidez necessária para se ter no set de filmagem. E Eu gosto de uma equipe que filme velozmente de uma maneira muito lenta.
Ainda segundo Ruy Guerra cada diretor tem uma ma maneira de trabalhar e ele fala seu processo de realização. Ele costuma simplificar pois seus planos são muito complicados, por isso tem de ser simples na elaboração para não se perder no processo. O diretor do filme determina a linguagem. Faz a decupagem do roteiro literário para o roteiro técnico e para ter uma noção básica geral de quantos planos vai ter as seqüência, que tipos de plano, talvez tenha ainda conceitos racionais da linguagem do filme. Uma serie de definições só vai chegando no decorrer da filmagem. Quanto mais rápido o diretor chegar a esse conceito de qual é a arquitetura que vai ter o filme como um todo, melhor. A partir daí serão feitos os relatórios para o restante da equipe: tem o roteiro, roteiro técnicos, planta baixa, ordem do dia, plano de filmagem. Ele costuma chegar cedo no set vazio com os atores, continuísta e primeiro assistente e ensaio com os atores e sem mais ninguém. E em função disso realiza o ensaio livremente com os atores e quando vai ensaiando vai decupando, segmentando, fixando comportamentos e as idéias. Vai dirigindo levemente os atores não sob o ponto vista interpretativo, mas sob o ponto de vista geral e vai começando a decupar e determina e vai repassando para a continuísta e o esquema geral e eu ai cria a planta baixa e repasso para o assistente e para a continuísta. E a partir disso o assistente organiza a ordem do dia. Dependendo da complexidade da cena leva 30 a 1hora para pensar a decupagem e começar a filmar, dependo também do diretor de fotografia. Depois do ok do diretor de fotografia entra os atores já maquiados e com figurino e começa a filmar. Enquanto ele filma o primeiro assistente já esta preparando o segundo plano e a segunda assistente fica no set ao lado do diretor.
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